quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A AMEAÇA DE METAL

Em uma época tão avançada como é a que vivemos nos dias atuais. 
Que a ciência já está tão evoluída nas áreas da robótica e da cibernética. Da biomecânica e da tecnologia em geral...
O sonho de construir uma armadura perfeita, como aquela que possuía aquele velho homem de Ferro das historinhas. Já faz muito tempo que deixou de ser uma simples ideia impossível. Ou de simples ficção.
Alguns verdadeiros gênios, já faz muitos séculos que conquistaram o direito de andar por aí vestidos como verdadeiros paladinos de aço.
Que por causa dessa tecnologia tão avançada, possuem as mais incríveis capacidades e poderes.
Os quais em um longínquo passado remoto só se podia sonhar em ver.
Resistência ao extremo calor, ao frio e até ao vácuo do espaço.
A força de tração e mecânica, tão grande quanto maquinário pesado como guinchos e guindastes.
Visão de raio x, microscópica, infravermelha e visão noturna ou binocular.
E alguns perfeitamente dotados da capacidade de voo e de aceleração parecida com os aviões do passado.
O JOMIR era o robô armadura do meu amigo o Alinsom. E ficava muito tempo em funcionamento por agora, nesta época do ano. Porque ele tava se preparando para se apresentar naquelas feiras de tecnologia que seriam realizadas nas exposições pela cidade.
No fundo ele era um tremendo inzibido, com aquela tecnologia toda que ele fazia tanta questão de usar e mostrar com todo orgulho pra todo mundo. Claro ele não fazia nada de ilegal com ela...
Afinal ser inteligente e ser metidinho por enquanto ainda não é
nenhum crime pelo que eu saiba.
Mas desta vez o JOMIR chegou na hora mais que oportuna!
Ah, antes que eu esqueça JOMIR é uma sigla ta.
Joia Máxima da Inteligência Robótica. É como foi batizado o protótipo de armadura utilizada pelo Alinsom.
Tinha acontecido uma discussão tremenda entre aquelas duas mulheres, porque uma estava com ciúmes do marido ca outra, Foi barraco!
Nem sei o que rolou entre o marido dela e a menina lá...
Ela veio até a cerca viva de madeiras e arame e as trepadeiras de ramadas verdes. Xingou que xingou. Esbravejou e ofendeu todo mundo.
Claro que a moça não iria mesmo ficar quieta né. Nem podia.
Xingou também a mulher de volta e virou aquele bate boca da pêga. Depois de um tempo a mulher se foi e parecia que tudo voltara à paz de sempre. Mas qual nada, era só pura ilusão não é?
Essa mulher voltou foi brava, com uma tocha acesa na mão e danou de pôr fogo nos matinhos em volta do terreno perto da cerca.
Começou a sair muita fumaça branca das braquiárias e as outras plantas que estavam sendo queimadas pela descompensada mulher.
Quando notamos aquela fumaceira toda e viemos olhar, as chamas já iam lambendo à grande altura. Já tava pegando fogo na cerca e aquela fumaceira toda me ardia nos olhos e no nariz. Impedindo de respirar.
Bateu aquele desespero porque a fumaça e as chamas do incêndio iam invadir as casas e logo estariam tão grandes que a gente não ia poder controlar mais.
Todo mundo veio correndo, juntou baldes e bacias de tudo quanto era tamanho e enchemos de água.
Fomos jogando água e molhando a cerca e os matos. E ainda meio que se controlou o fogo.
Porque o capim não tava muito seco e demorou uma data para queimar em muitos lugares.
Mas enquanto a gente apagou naquele lado, aquela mulher diabólica já estava lá num outro lote, tentando queimar tudo ali também...
Ficamos cansados, tossindo e suando muito para apagar o primeiro início do incêndio, e ela já arrumou um outro fogo bem maior.
Daquele lado o fogaréu estava bem pior. Muito mais alto pois tinha um montão de madeiras e o fogo já ameaçava chegar até a casa...
Fizemos tudo o que pudemos, e jogamos água até muito além do limite de todas as nossas forças.
Quando tudo parecia que estaria mesmo perdido chega aí o JOMIR de surpresa aparecendo. Foi praticamente em cima da hora!
Pegou seu extintor de incêndios e mandou tudo que pôde lá nos focos maiores do fogaréu enquanto andava pelo meio das chamas.
E a gente mandando a água nos dez focos menores feito uns loucos.
Com seu potente sistema de som ele orientava bem aonde a gente devia jogar a água e apagar todos os focos pequenos.
Porque os rastreadores e os sensores de calor do robô faziam ficar claro aonde as chama não haviam sido debeladas.
Quando a gente ainda pensava em comemorar que o susto maior passou, ainda pude ver aquela mulher de sorriso sádico e escarninho indo colocar fogo com aquela sua tocha, 
no terceiro lado da cerca que ela ainda não tinha queimado...
Pela crueldade daquele olhar eu logo notei que ela estava louquinha de ódio e maldade. E uma alegria cruel e selvagem a impelia a tentar se vingar botando fogo ali ao redor e tentando fazer pegar nas cercas e até na casa. Pra afogar a gente com a fumaça ou nos cozinhar vivos.
Mesmo tendo visto, parecia difícil de se acreditar...
Quanta maldade e ódio a alma humana era capaz de conter!
O que ela queria era matar todo mundo, queimado ou afogado nas fumaças!
E o novo fogo agora se alastrou muito mais depressa do que daquela primeira vez.
Parecia que o mato estava bem mais seco, e o vento ajudou ainda mais a espalhar as chamas. Foi pior pra gente lutar contra tanto fogo.
E mesmo com a ajuda de JOMIR parecia que a gente ia perder a batalha.
Ela tinha ido embora dando sonoras gargalhadas, depois de atirar pra longe aquela tocha assassina.
A gente correu lá e jogamos e jogamos água e mais água. E fizemos tudo que foi humanamente possível.
Quase que por um milagre os ventos de repente pararam e isso fez com que no finzinho do último instante nós pudéssemos enfim controlar o fogo. Mas sobraram muitas consequências.
As cercas ficaram semidestruídas. As árvores, a madeira e até mesmo a casa sofreu com os efeitos do fogaréu.
Tudo em volta tá queimado, a gente estava sujo e exaustos.
Mas feliz e agradecidos pela valiosa ajuda de Jomir.
Não fosse ela e teria acontecido uma catástrofe.
Entretanto a gente mal tinha parado para descansar e falar um pouco do caso dos apavorantes incêndios.
O JOMIR ainda estava vigilante lá em cima sobrevoando e olhando os restos do atentado.
Veio uma armadura bem maior e parecendo muito mais equipada e mais forte que se aproximou dele.
Tem sempre alguns caras que acham que porque têm muito dinheiro, podem fazer tudo que quiser...
De longe já dava pra notar que aquela armadura havia custado uma pequena fortuna. E era construída em série por uma equipe em alguma linha de montagem...
Algum laboratório importante com certeza.
Mas acontece que o piloto não era propriamente um cidadão capacitado para operar uma máquina maravilhosa como aquela. Tá na cara!
Igual a um possante fórmula um! Uma poderosa armadura como aquela não podia e nem devia ser pilotada por um riquinho qualquer, todo metido. E que não é capacitado a ter nem sequer um skate.
Também não é por ter grana pra pagar por uma que você tem o direito de sair com ela pra passear como quem usa um brinquedinho...
Vendo o JOMIR ali todo atarefado pra apagar o nosso incêndio.
Aquele panaca mauricinho não fez absolutamente nada para ajudar e nem quis colaborar conosco. Ao contrário.
Apenas se limitou a observar a outra armadura em ação e avaliar de longe cada uma de suas capacidades.
Só queria saber do que a outra armadura era capaz...
E agora achou que já podia atacar traiçoeiramente o JOMIR.
Um ataque gratuito de surpresa, e covardemente realizado.
Tava na cara que em uma luta daquelas ele nem teria chances.
O JOMIR seria o Davi pequeno, contra um Golias gigante.
A estatura daquela possante armadura era de quatro metros de altura e era enorme também na largura.
Dava a impressão de ser um homem super marombado, do tipo daqueles atletas fortões do fisiculturismo...
Devia ter pelo menos um metro e oitenta de largura de ombros.
E o corpão todo dava a impressão de querer dizer “olhem pra mim”, e vejam o quanto eu sou forte e poderoso.
Ele pegou o JOMIR por um braço e segurou bem no alto da cabeça com brutalidade. Tentava girar as juntas da articulação do pescoço. Como se quisesse rodar e arrancar a cabeça de uma boneca de plástico.
O JOMIR foi pego de surpresa, mas não ficou parado enquanto aquele robozão abusado tentava desmontar o seu esqueleto.
Ao contrário, segurou bem firme a mão do outro e não deixou rodar e nem torcer a sua cabeça.
Mas se deixasse torcer também, seria o fim para o Alinsom.
O pescoço dele e o da armadura eram um só e o mesmo pescoço.
E os dois acabariam sendo quebrados juntos, se a cabeça virasse.
Vendo que não deu para torcer pela cabeça, ele puxou com raiva e também ela não saiu do lugar para retirar da armadura...
Parecia a cena de um irmão maior de 15 anos abusando de um mais novo de 10. E de longe, vendo daqui do chão onde a gente tava.
Nada podíamos fazer, a não ser ficar em local seguro e contemplar cheios de revolta aquela luta desigual.
Eu não sabia ao certo do que o Alinsom seria capaz de fazer para se defender daquele canalha mecanizado.
Ele sempre me pareceu ser um daqueles caras filhinho de papai.
Meio nerd e mauricinho, metidinho e cheio de frescuras.
Não parecia de forma alguma um homem de ação. Do tipo decidido e capaz de se envolver numa briga pra enfrentar e até derrotar um valentão.
A gente vendo tudo aqui de baixo, torcia pra ele ganhar enquanto os dois lutavam voando a uns 10 metros ou mais de altura.
Na verdade eu tava torcendo pra ele trazer aquele valentão aqui pra baixo. Eu ia desmontar aquele monstrengo de metal todinho na paulada.
E o pessoal aqui em volta ia ajudar heim! As muierada e os caras e até as crianças tavam louco de raiva e revoltado tanto quanto eu.
Loucos pra pegar e linchar ele.
Nós ouvimos de repente soar muito alta, aquela voz bem modulada e que já tínhamos acostumados a ouvir durante o incêndio.
Todos vocês se afastem eu vou me defender desse robô agora.
Eu entendi então que podia ficar muito perigoso pra gente estar parados ali perto em campo aberto se o JOMIR lutasse mesmo contra aquela outra máquina do inferno.
Fui chamando e tirando as pessoas, as crianças. E saimos para bem longe e nos escondemos atrás de umas paredes.
Tinha de apressar ao máximo a retirada.
E pareceu que era só isso mesmo que o JOMIR estava aguardando.
Segurou mais firme a mão direita do monstro e puxou a cabeça até se soltar de vez daquelas garras que pretendiam decapitá-lo.
Pareceu que isso foi até facinho de fazer. Fiquei até me perguntando porque foi que ele esperou tanto tempo par se libertar.
Na certa o JOMIR estava fazendo a análise completa do corpo antes de começar a reagir, só podia ser mesmo isso!
Vendo que o outro libertou a cabeça, o robozão puxou das costas uma espécie de barra meio cilíndrica de quase um metro.
Ela se dividiu em gomos e soltou inúmeras pernas afiadas, tornou-se uma espécie de lacraia robô. E se encaixou sobre a cabeça do JOMIR.
Enroscando-se feito uma cobra. E as patinhas ficavam saindo faisquinhas azuis na armadura. Dando choques.
Com aquela lacraia na cabeça o JOMIR começou a puxar fortemente o braço e se soltou da segunda garra do robozão na marra.
Pegou a lacraia metálica com a duas mãos e danou de puxar até que finalmente a arrancou do seu couro ou melhor da sua couraça.
Ela ficou se retorcendo e soltando luzes laser vermelhas e faíscas tava mexendo as garrinhas afiadas enquanto o JOMIR a esmagava e ele a transformou em uma bola de metal prensado...
Mas o robozão enquanto isso não ficava parado. Se movimentou e das suas costas retirou duas lâminas de corte de altíssima rotação e as colocou em posição, para atacar o JOMIR novamente.
Evidentemente queria desmontá-lo em pedacinhos.
Jomir jogou a lacraia inutilizada na direção do robozão com toda a força e quando o atingiu fez um forte amassado no 
monstrengo e deixou uma marca entre o ombro e o cotovelo.
Aquele afundado não fez grandes estragos naquele colosso.
Velozmente ele veio e passou a sua lâmina no antebraço do JOMIR um pouco acima do pulso esquerdo.
Isso fez uma chuva de faíscas igual a fogos em cascata numa festa de fim de ano.
Achei que ia cortar o braço fora, mas foi incrível. Não fez nenhum arranhão no metal prata. Parecia ser adamantium ou coisa assim aquela porcaria. Não dava pra entender.
Não convencido que o ataque com as lâminas fracassou, ele meteu a outra bem lá na junta do ombro do JOMIR.
Só que parecia que ele estava ficando estressado com toda aquela lutinha idiota.
E dando um golpe rapidíssimo ele arrancou a lâmina do braço com uma violência incrível.
Que fez ela sair dali projetada como uma bala.
Passou-se raspando por uma grossa árvore que existia ali perto e arrancou uma enorme lasca deixando uma fresta em que você podia enxergar até do outro lado atrás da árvore. Cabia até um braço nela.
Logo o JOMIR estilhaçou o outro lado que tinha sobrado da serra de alta rotação. Mas o robozão não se dava por vencido...
Pegou um eletrodo parecido com um daqueles de solda.
Que emitia uma luz cegante e soltava inúmeras fagulhas. E tentou passar aquilo pelo corpo do JOMIR, não se importando muito em que lugar que aquilo poderia encostar na armadura.
Mas o corpo do JOMIR não era afetado pela solda e nem pelas faíscas, línguas de fogo e energia elétrica que escapavam.
Ele ainda lançou um tipo de laser diretamente sobre o corpo do JOMIR mas também não fez nada do efeito esperado.
A luz só iridesceu e se dispersou sem causar maiores estragos.
Vendo que a coisa estava ficando séria ele pegou um maçarico, mas desta vez o Jomir não deixou mais ele usar...
Com um movimento rapidíssimo arrancou da mão dele e atirou para o chão com toda força e o objeto sumiu.
Foi parar alguns metros debaixo da terra.
E o JOMIR passando ao ataque foi para cima do robozão e a primeira coisa que ele fez foi se jogar em cima do outro robô. Usando um raio laser potente mas fino na couraça do braço direito.
Isso quase não o afetou muito, apenas dificultou-lhe os movimentos.
Pude entender que o JOMIR tentava inutilizar estragando o mínimo possível aquele robozão...
Mas isso porque tinha o detalhe que havia um ser humano ali dentro daquela máquina do mal.
Não se podia destruir a armadura, sem que o homem que estava dentro fosse aniquilado junto com ela.
Atacou também agora, o braço esquerdo.
Mas o robozão estava de sobreaviso e o agarrou violentamente num abraço de tamanduá. E o apertava tentando a todo custo esmagar.
Com aquela sua voz bem modulada ele nos disse:
Quando eu descer podem jogar um pouco de água em nós.
A ordem era bem clara, e a gente correu em busca dos baldes e das bacias que usamos no incêndio.
E quando voltamos os dois ainda estavam embolados, mas iam descendo lentamente. Parecia que o grandão tentava 
evitar isso a todo custo. Mas não conseguia impedir a descida até o solo...
Nós chegamos e já jogamos muita água. Molhamos os dois robôs por todos os lados, da cabeça aos pés como se agora fosse nele o incêndio.
Depois disso JOMIR voltou a mandar que todos nós ficássemos ainda mais longe do que antes a gente tinha ficado.
Ele agora estava lá parado bem no meio do terreno aberto.
Ali parecia um tipo de campinho de terra vermelha e ressecada.
O dia estava ainda bem claro. E tinha uma poucas e esparsas nuvens no céu ainda bem azulado.
Mas de repente o JOMIR começou a brilhar e a atrair partículas. A ficar muito fosforescente, sei lá. Estava todo ionizado.
De súbito caíram uns raios sabe lá vindos de onde no céu.
Como se o JOMIR tivesse ligado para raios bem no meios de uma tempestade.
Veio uns raios coloridos em rosa, laranjado, azul, verde e brancos.
Rasgando o ar com um barulho ensurdecedor.
E todo mundo que tava perto di mim fugiu correndo, como uns loucos desesperados.
Mas eu simplesmente não podia me mexer dali.
Ficava olhando as descargas totalmente fascinado. E eu tinha a perfeita noção que cada cor diferente de raio equivalia a uma diferença de voltagem das suas descargas de eletricidade.
Não tinha nenhum daqueles raios que tivesse menos do que talvez 3 milhões de volts, mas a maioria chega aos 5 milhões.
E era o robozão quem recebia toda aquela carga de
energias na sua cabeça e por todo o corpo. Ele não tremia nem esboçava reação.
Parecia ter se travado segurando o JOMIR como um carrapato que se prende mesmo após ter sodo dedetizado.
E os raios caiam e ofuscava até a vista eu olhar. Mas notei que o JOMIR continuava cortando a armadura do inimigo em muitos pontos e em vários pequenos lugares com o seu laser.
Enquanto isso atraia toda a chuva de raios sobre ele.
De muito longe era visível aquela dança de raios e fogo no céu.
Porém quando se encerrou o JOMIR estava lá impávido
E o robozão já não era capaz de se mexer e nem de fazer mais nada.
Estava todo travado e paralisado ao ponto de não ter nem mais energia. Apesar de toda aquela eletricidade que havia caído sobre sua estrutura de metal.
E começou a se ouvir uma voz lá de dentro dele. Meio abafada.
Ei. Me tirem daqui me ajuda.
O JOMIR mexeu um pouco e logo abriu uma brecha na armadura. E saiu de lá um rapaz branco com um sorriso amarelo. Com cara de cachorro que acabou de cair da mudança. Todo sem graça.
A voz de JOMIR parecia inflexível. Não havia emoção alguma.
O que foi que aconteceu? Por que você me atacou?
Não fui eu, minha armadura estava fora de controle
Acho que mudei errado alguma coisa na programação, sei lá...
Entendo, então foi por isso que tentou me desmantelar.
Pensei que ele queria ganhar um prêmio na feira de robôs e foi por isso que achou que poderia te eliminar como adversário e competidor.
Ah feira é só uma droga de competição. Alguém poderia ter sido destruído quando esta máquina partiu para cima de mim.
Já disse que não foi culpa minha... Agora vou ter que chamar a minha equipe e mandar levar de volta o meu robô. Vou consertar.
Você é quem sabe, boa sorte então.
Puxa que máquina você tem eim! Como foi que você conseguiu?
Foi um projeto de meu pai. Eu aperfeiçoei e construí tudo sozinho. A maioria das peças foi eu mesmo que fiz.
Nossa que máquina a sua. Alguma vez já participou de lutas de robôs em alguma arena? Como é que se chama?
JOMIR. Joia Máxima da Inteligência Robótica!
Puxa, que legal. Porque eu nunca ouvi falar de você?
Eu participei da feira só como demonstração duas vezes...
Agora vou deixar você ai cuidando da sua máquina.
Há, mas agora máquina era a maneira de dizer né.
Sucata seria o nome mais correto para chamar o robozão no atual estado em que se encontrava. Virou só o refugo.
O processador e as centrais de dados não prestariam pra mais nada.
E também muitas peças estavam derretidas e avariadas. Fundidas.
Um equipamento interno caríssimo agora estava inutilizado e se queimou para sempre. E só umas poucas peças isoladas iriam poder ser retiradas e se aproveitaria em alguma outra máquina, mas...
Eu tinha escutado todo aquele papo furado do carinha.
Tinha visto o que o JOMIR teve de fazer pra salvar aquele cara.
E agora via com péssimos olhos a coisa toda.
Você acha que ele fala a verdade que o robô armadura

dele que tem a culpa porque realmente deu um defeitinho?
Não sei, acho que não confio muito...
Tenho certeza JOMIR. Ele te atacou de propósito, de caso pensado. É um daqueles riquinhos metidos a besta que faz luta na guerra de robôs. Tenha muito cuidado com este cara e essa tal equipe deles.
Já tive o pressentimento que esse sujeitinho não presta
Pra que ele alteraria a programação de um robô afinal?
E ainda saiu falando que não era ele que controlava. Mentira dele!
Todo robô tem um botão de desligamento automático de emergência.
Era só ele desligar e o robô ia para na hora, sem fazer nada que fosse perigoso pra ninguém...
Sabe que eu não tinha pensado nisso...
Tou te avisando JOMIR, esse cara ai não presta. Aposto que ele já deve estar planejando como fazer pra poder atacar você de novo.
Ele ou algum amiguinho lá dessa equipe dele. Talvez tente até roubar a sua máquina...
Também não confio nele. Soa tudo meio falso.
Sim eu percebi que você não quis dizer nem seu nome pra ele.
Fez muito bem. Vi que o olhinho dele brilha de cobiça pelo seu robô.
Sim, também achei estranho, parecia que ele tava admirando até demais.
E ainda falou em lutas e aposto que ele tava pensando no JOMIR lutando nessa tal Arena com algum outro robô. Porque o dele não deu nem pra saída...
Você talvez devesse chamar a polícia cibernética não é melhor eim? Não! Nem posso fazer isso, eles iriam periciar o
meu robô e talvez até prender por meses. Eu fiz modificações recentes.
Ainda tenho de informar isso e levar para fazer a inspeção e pedir a autorização. Se eu denunciar aquele otário, eu vou ficar ainda mais no prejuízo do que ele...
Eu entendi. Mas aposto que não vai ser a última vez que ele vai ti arrumar essas encrencas em JOMIR. Toma cuidado.
É, vou andar de olho mais aberto de agora em diante.
Nem tenho como agradecer o que você fez naquele incêndio todo cara.
Se você precisar de mim, qualquer coisa é só falar.
Valeu, obrigado. Agora vou pro laboratório fazer uma revisão.
Quero ter certeza de que aquele combate todo não causou nada.
Eu já tinha entrado até no meio de um incêndio...
Tá certo então, apareça ai outra hora.
Logo o JOMIR se perdia na distância, voando baixo.
Pois é, estou virando fã desse cara. Se arriscou muito em apagar todo aquele incêndio. Depois vai e derrota um robô de guerra com o dobro do seu tamanho.
Por falar em incêndio, vou ter que conversar a sério com aquela desmiolada eim. Que história foi essa de daquela mulher vim aqui e botar fogo em nós todos, só porque tá com ciúmes do marido?
Mas isso vai ter que ficar pra depois. Eu vou lá espionar o besta que era dono daquele robozão. Putz pensei que o JOMIR fosse até perder aquela luta.
Nunca pensei que o babaquinha do Alinson fosse capaz de lutar e se defender de um ataque igual ele fez.
Ele parece meio bichinha tem hora. Achei que ele ia só apanhar e nem ia reagir... Podia ter só fugir né.
Ei. Mas espera ai. Cara quanta gente e quanta máquina só
para ir recolher aquela sucata de robô.
Epa, ô, cadê o rasgadão que a lâmina tinha feito na árvore?
Pegaram a lacraia de metal, e até já puxaram lá do fundo da terra o maçarico do robozão.
Parecia rápido, rápida e metódica até demais a tal equipe que ajudava aquele cara. Certeza absoluta que aquela não era a primeira vez que eles faziam aquele tipo de limpeza.
Tirando tudo que era vestígio sem largar a mínima pista para trás.
Eu tava bem escondido e só filmava a movimentação do grupo..
Com certeza que eu não devia ser visto ali.
Eles podiam achar bem ruim serem filmados na sua obra de limpeza e pente fino.
Uma pena que eu não podia me aproximar demais e ouvir o que que eles tanto conversavam. Teria adorado ter mais alguma informação.
Mas era claro que estes caras aqui iam importunar o panaca do Alinson pra fazer contra ele alguma outra luta de robôs.
O pior é que nem podia usar agora essas imagens pra denunciar estes criminosos, porque iria prejudicar o Alinsom.
O mais certo que este malandro faz agora é se cuidar viu...
E realmente seria muito bom que o piloto do JOMIR pudesse ver que estranhos pensamentos aquele riquinho ali estava tendo.
Ainda olhando com pena os destroços do robozão dele que tava lá esticado na plataforma de transporte o carinha comentou:
É você ganhou desta vez. Mas eu ainda vou pegar na curva esse seu protótipo de robozinho, ou JOMIR.
E até eu já sei quem vai me ajudar.
Tenho é que falar com o Shadow imediatamente.

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