segunda-feira, 22 de agosto de 2016

EU ENCONTREI COM O MICHAEL JACKSON




Eu estava passeando numa rua em frente da minha escola...
Quem sou EU ?
Leonardo, 12 anos 1,62 de altura, 54 quilos.
Até que conheço um pouco de música, e por mais incrível que possa parecer.
Eu nem gosto muito de boa parte das músicas que a gente escuta hoje em dia. São muito é barulho...
Eu tava caminhando perto de uma bela lanchonete que tem ali na esquina.
E estava tocando alto ali nas proximidades uma música muito bunita de quando o Michael Jackson tinha quase a minha idade e quando ele ainda era da minha cor também.
Chama MUSIC AND ME. A MUSICA E EU.
Pois é, o som nem tava muito alto mais ainda tava bom de escutar aquela música.
Logo eu percebi que tinha mais alguém cantando.
Olhei lá pra dentro espantado porque aquela voz vinha era lá de dentro do salão.
Alguém cantava com a voz tão idêntica e tão perfeitamente igual ao play back que lá dentro as pessoas nem percebiam nada.
Eu com o meu olho comprido pra dentro da vitrine, pensava que ia ser delicioso eu poder devorar também um poderoso sanduichão daqueles.
Que ainda vem com um copão gigantesco de coca-cola.
Mas minhas moeda no meu bolso só pagava o ônibus de volta pra casa.
E agora eu nem peço mais dinheiro em sinal.
Sempre vem algum engraçadinho e ti junta pelo braço querendo ti pôr num abrigo de menor e ti “salvar' de virar moleque de rua.
Aquela droga é uma selva, e tá cheio de pirigosos, mandões metido a chefão do crime.
Além de ter regra de horário pra tudo. E você num pode nem espirra que já estão querendo que você explique o que que tem no seu nariz.
Enquanto eu olhava toda aquela gente comendo tanto, não parei de ouvir a música que tocava.
Foi aí que eu vi quando alguém saiu pela porta lá do outro lado e passou ali bem pertinho.
Cantando perfeitamente naquela língua complicada que os povo fala lá do estrangeiro, cheia de palavra que o meu ouvido mal separa um som do outro.
Sem querer eu fiquei procurando quem era e saí andando atrás
do som da voz daquela música.
Ia olhando pra toda parte e ao redor naquela rua movimentada cheia de gente passando em todos os sentidos.
Gente indo e gente vindo, gente entrando e saindo da lanchonete.
Aonde que eu ia ver nada quem é que tava cantando .
Mas eu seguia a voz de perto e fui caminhando sem me afastar dela.
E isso já me mostrava que pelo menos a gente tava indo era na mesma direção.
Ali perto da esquina a voz parou e ficou esperando para atravessar a rua.
Eu também ia indo e quase alcancei, mas novamente perdi de ver a pessoa no meio daquela multidão de passantes.
Atravessei a rua também, confuso e perturbado. Como quem sai por aí perseguindo fantasmas...
Mas lá do outro lado da avenida o movimento de pessoas ainda era menor e eu pude finalmente ver de costas uma pessoa alta parada ali na calçada.
Ainda meio longe e eu chamei : _ Ei moço ! Ei você aí que tá cantando aí.
E quando aquele cara virou pra mim eu olhei na cara dele e quase morri de susto !
Parecia que era o cantor da televisão, o tal de Michael Jackson.
Mas esse cara não tinha morrido ?
Foi o que eu também pensei na hora! Mas ele tava ali.
E não era aquele Michael Jackson velho e acabado que ele era agora no final não !
Era um cara novo, com cabelinho de neguinho que nem nóis assim gente normal.
Tava com cara de gente. Não com cara de artista daqueles que bota tanta tralha no rosto e no cabelo que parece até aqueles manequim di vitrine de loja de roupa.
E quando eu chamei ele ainda tava cantando, com a voz tão limpa e igualzinha ao som da lanchonete.
Que eu achei que tinha algum rádio com ele.
Afinal quem é que canta assim tão bem ao vivo não é ?
Mas o que me incomoda nesse cara não é que ele canta!
É o fato de que ele até já morreu !
E quem é que não sabe disso ?
Acho que o mundo inteiro comentou quando aconteceu aquilo lá.
Mas o milagre a gente não explica né.
Agora ele mesmo estava ali, bem ali. E com uma saúde de ferro e 
cantando duma maneira que já faz muito tempo, nem ele mesmo tando vivo não cantava mais.
Tava rindo e alegre até demais para um morto não é ?
Tava era vivinho da silva, até da di pensar que artista é imortal.
Quando eu falei com ele parecia que ele tava entendendo tudo.
Porque ele parou e riu. E ficou ali me olhando sem parar de cantar.
Como se fosse algum tipo de mágica, apareceu na mão dele um copão de refrigerante e um pacote lá da lanchonete.
Com tudo fechado e um sanduichão enorme, daqueles com tudo dentro. Tudo que tinha direito.
Só depois de começar a comer é que eu percebi que eu tava tão com fome.
Ele só me olhava e ficava rindo enquanto eu comia.
Decerto porque eu me lambuzava todo com ketchup e a maionese pela cara toda.
Mas eu finalmente acabei de comer.
E perguntei se ele era realmente o verdadeiro Michael Jackson.
Pra variar ele lá na língua dele confirmou que era sim.
Milagrosamente eu entendi o que ele queria dizer.
E mais pra incomodar do que tendo alguma duvida da identidade
dele eu o desafiei : _ Então me ensina aí a dançar igual a você...
Faz aí o moon walk pra mim ver. Eu ainda não consigo...
Isso sim era verdade, eu nunca consegui aprender sequer a começar a fazer esse tal de moon walker que era a marca registrada dele.
O pior é que esse cara não é desse planeta !
Fazendo uns barulho com a boca, estalando os dedos já criou um ritmo pra dançar e já saiu se flutuando como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Andando pra trás até bem longe fez um giro completo ali parado.
Depois voltou de lá pra cá do mesmo jeito que tinha ido.
Parou bem do meu lado e deu aquele giro de várias voltas rapidíssimas, que a gente fica até tonto só de olhar fazer.
Esse aí era o Michael Jackson sim ! - eu pensei.
Aí eu falei : _ Ou ! PERA AÍ ! PERA AÍ ! PERA AÍ CARA...
Me ensina aí também a fazer esse negócio pô ! Mostra aí brou.
__ Primeiro você tem que que deixar o corpo bem leve. E vai apoiar o peso com este pé e o peso vai só deslizar.
Depois o outro se desliza também e você movimenta os dois quase ao mesmo tempo.
Depois é só ir fazendo...
Cara, fui fazendo junto com ele e e o cara ia mostrando enquanto me explicava.
E o passo do tal do moon Walker que nunca eu na vida toda num tinha feito, foi saindo naturalmente.
Consegui fazer com perfeição.
Igualzinho ele tava fazendo...
Mas também aprender com o mestre é outra coisa né. Nunca tinham me ensinado essa droga direito.
E agora que eu sabia fazer parece que já era tão fácil.
Fiquei fazendo indo e voltando, e o cara tinha parado ali pra ver eu dançando o moon walker.
E quando eu cheguei e parei do lado dele. O cara tava batendo palma pro moon Walk que eu tava fazendo.
Quantas pessoas na vida já tiveram uma moral dessa ?
E o pior é que ninguém mais vai ter não é ! O cara morreu...
Achei melhor eu aproveitar, só pra insétizar mesmo ele.
Mandei ele fazer o moon walk pra frente pra eu ver como que era também.
Quando ele fez e me mostrou umas duas vezes eu falei:
_ Pera aí ! Deixa eu tentar acompanhar também.
E eu fui fazendo junto o moon walk pra frente. Mas agora eu já tava craque tamém né.
Fiz igualzinho ele fazia e ao mesmo tempo.
Devia estar engraçado um grande e um piqueno fazendo o
mesmo passo e dançando ao mesmo tempo.
Quase como se fosse um espelho.
E agora ainda tinha o teste final, aquele passo que é rodar parado no mesmo lugar e ir andando de lado também.
Ele mostrou, começou a fazer e eu logo acompanhei.
Fiz igualzinho de novo .
Ééééé ! Tá pensando o que ? Agora eu num sou fraco não. É guri.
De repente eu tive uma brilhante ideia...
E se eu levasse o cara pra minha escola !
Os pisos da escola era maneiro. A gente podia ensaiar lá
Eu tinha guardado minha caixa de música no meu armário.
Depois que a piquena que eu tinha comprado o otário do meu tio Cleitão trocou em duas daquelas garrafa daquele whisky
paraguaio.
Ah nunca mais guardei foi nada lá em casa !
Lá em casa, nem dá pra chamar aquele barraco lá de casa em !
Aquilo lá deve tar um chiqueiro agora!
Ele já deve ter bagunçado tudinho de novo...
Quase que eu ri pra caramba quando ele chegou e falou: _ Cadê o dinheiro que a dona Alice ti deu ? Já revirei a casa toda e num achei ! Olha a bagunça que tá aqui !
Hé, héé. Só porque ele quer que eu ia dar o dinheiro do salgado
que eu vendi da dona Alice pra ele tomar a cachaça né.
_Ah tiu! Eu usei todo o dinheiro pra pagar coisa da escola. E ainda ficou até faltando... - falei pra ele só di chato.
Eu já sabia que as borracha ia comer na minha costa de novo !
É chato até chato cê ficar lembrando das lambadas que ti deram antes di ontem...
Só que eu não ia levar o Michael Jackson lá em casa só pra ver eu apanhar igual daquela vez na frente do Gustavo.
Mó vergonha que eu passei né. Até os povo vieram perguntar pra mim depois.
Lá na escola o Michael vai pirar com aquele palco do teatro que tem lá.
Lá sim vai dar pra gente ensaiar...
__ Ô Michael ! Vamo lá na minha escola pegar a minha caixa e daí eu vou ti mostrar as musicas que eu tenho nela. Vamu.
_ Tá bem, vamu lá...
Que coisa incrível ! Eu sair andando por aí com o Michael Jackson !
A molecada ia morrer de inveja do neguinho aqui. Pensa.
Pena que eu sei que esse cara num tá nada afim de aparecer pra multidão.
Quando ele ainda tava vivo ele já não gostava...
É uma sensação muito estranha a gente andar com um morto por aí. Ainda mais sendo um que todo o mundo sabe que morreu.
Começou a me dar a impressão de que logo logo isso ia dar merda. Tava na cara !
__ Ainda bem que a minha escola fica bem ali mesmo nessa rua. Se fosse mais longe eu não ia nem chamar você pra ir lá comigo.
Você tá entendendo o que eu falei, vamo lá então ?
_ Oh, ok vamos.
Eu ainda não sei como que você agora tá falando português assim tão bem.
_ Oh agora não é tão difícil.
Ainda bem que a gente já chegou ! Num falei que era bem pertinho ?
__ Sim é muito bom. Aqui ser um bonita escola.
Pra mim é aqui que é a minha casa .
Quase igual no castelo aquele onde estuda o Harry Potter, lembra ?
__ Ei. Não quero encontrar muita gente ainda !
Ah, tá tudo bem. Vamo lá no teatro então. Pera aí vou pegar a caixinha de som tá bem ? _ saí correndo e fui até o armário e já ia saindo quando vi o Vitor e o Suíno, aí chamei eles.
Gente vamo ali que eu quero ti mostrar uma pessoa.
Mas quando eu cheguei lá na entrada o cara tinha sumido, num tava mais lá.
E o Suíno saiu batido, nem sei onde ele ia com tanta pressa, ou cara sujeira ! kkk
Por isso que chamavam ele de Suíno ? aff Só podia.
A gente saiu andando e logo vimos o Michael lá no corredor.
Nem precisou eu apresentar o Vitor, ele mesmo sempre se adiantava.
_ Cara ! Você é o Michael Jackson, eu chamo Vitor Hugo...
Esse Vitor é mesmo um pateta ! Tu acredita que ele é a única pessoa do universo que ainda não sabe que o cara já morreu ?
O cara estar aqui é um milagre. E de tão mané ele nem vê isso.
Levei o Michael para o teatro e ele e o Vitor foram cada um de um lado.
Deixei a caixinha na mão dele e subi no palco com o Michael. Toca as música aí Vitor, a gente agora vai ensaiar.
O Vitor ligou a caixinha e começou a procurar as músicas.
Mandei ele procurar a música triller, parecia que ele ia levar a vida inteira pra achar...
O sobrenome dele era Salerno. Mas pra nossa turma ele era o Vitor Hugo Palerma mesmo. aff Que guri lerdo !
Mas finalmente ele encontrou as musicas do cartão e pôs pra tocar.
O som da caixinha nem era tão alto, mas mesmo assim dava pra ouvir. E nós começamos a dançar aquela dança dos monstros.
Daí o Jackson de repente fez uma mágica lá e apareceu um telão daqueles enorme atrás de nóis.
Daquele tipo que ele usava em shows pelo mundo todo.
Eu nem entendi direito o que ele fez.
Mas de repente saiu do chão uma fumaça verde que que foi mudando de cor e pulsando, ficando colorida.
E quando terminou de ficar branca e sumir, lá estava o telão perfeitinho e funcionando a todo o vapor.
E já tava aparecendo umas imagens dele quando era criança dançando e comparando o jeito dele com o meu. Porque a gente se parecia um pouco na aparência física.
De repente o som da música dele encheu o salão e o palco do teatro com uma aparelhagem de som que eu nunca tinha visto na minha vida.
Com umas luzes e holofotes de tudo que era cor.e tamanho.
Parecia que agora que ele tava morto, o cara gostava ainda muito mais de luzes e cores do que quando ele era vivo.
Aquele palco estava ainda muito mais iluminado, do que uma árvore do natal.
E agora tinha vapor de gelo seco ou sei lá o que, saindo de toda
parte.
Um efeito muito interessante apareceu estampado ali no telão.
Era que toda dança que ele fazia no nosso palco, aparecia uns bailarinos lá atrás no telão.
Todos eles tavam fazendo a mesma coisa e dançando exatamente igual os movimentos, e em cada coreografia.
E por incrível que pareça, agora eu também tava ficando bom nisso...
Cara, eu já não errava mais nada! Parecia que eu dancei as músicas dele a vida toda!
E olhando pro telão eu estava me vendo lá. Fazendo exatamente os mesmos movimentos que eu fazia aqui fora no palco.
Com isso eu podia mi ver na TV , participando até dos vídeos e clipes que apareciam.
O Michael que estava nas cenas sempre parecia ser o que estava
ali junto comigo.
O Jackson atual, que morreu.
Uma hora daquelas ele foi andando, e entrou pra dentro do video clipe. E ficaram os dois Michael Jacksons lá dentro dançando.
Depois ele me chamou e pôs a mão pra fora da tela e me puxou com toda a força para entrar também no centro da imagem do telão.
Daí então corremos juntos e entramos pra dentro de um video clipe passeando por dentro das histórias. Dançando e cantando como os verdadeiros artistas.
E em todos os lugares que a gente passava existia agora dois Michael Jacksons.
Um falava com o outro e dançavam juntos e cantavam juntos.
Eram dois velhos amigos.
E o Michael meu amigo me apresentava pra galera. Onde todo mundo me tratava feito artista também.
Parecia que pra eles eu era gente. Era importante.
Nem parecia que eu vim duma realidade onde preto e favelado não
são nem gente.
E os outros nem nota a nossa presença a não ser pra nos acusar das coisas mais feias e hediondas...
É ladrão, é traficante ou bandido, sei lá.
Ali sim eu era gente ! Era artista. E ainda era eu mesmo sem mudar...
Um negrinho. Favelado e pobre.
Eu cantei e a minha voz tava ótima.
Aí dancei e mostrei passinho pro pessoal e batiam até palma pra mim.
Daqui a pouco perguntaram de samba !
Quando eu ensinei todo mundo ali aprendia de primeira.
Foi a maior farra . Logo perguntaram de capoeira.
Dando uma di profissional, falei que ia mostrar se tivesse os instrumentos.
O Michael só me olhava e perguntou o que eu precisava.
Lá onde a gente tava, aonde eu ia arrumar um berimbau ?
Pou, mas agora que o cara tinha virado mágico, não tinha mais é nada difícil pra ele né ?
Ele fez uma graça lá com as mãos e já apareceu um berimbau novinho em folha pra gente usar na demonstração.
Eu fui lá e já mostrei como é que tocava.
Mais uma outra coisa bem esquisita aconteceu...
Quando eu parei de tocar . O berimbau já sabia tocar a música sozinho ? Que parada é essa brou ?
Mas milagre a gente não explica né ?
A gente apenas aproveita que aconteceu...
fui lá e dei uma aulinha pros gringos de como se fazer uma roda de capoeira.
Sempre é fácil de entender a regra.
Principalmente quando a gente fala a mesma língua né.
Agora o bicho pegava porque o povo falava ingreis e eu fala brasileiro mesmo.
Malandrei, como dizia o chato do professor da minha escola. aff
Não era pa falar errado, pa falar sem dizer direito as palavras. E pa terminar não era pa falar nenhum tipo de gíria também ?
Mano, quem é que vévi assim pô ?
O Michael tava tendo uma canseira do caraca pra traduzir o que eu falava. Mas ainda tava conseguindo.
Também no fundo capoeira é bem facinho né. Qualquer um intende logo. Pega as moral .
Depois de a gente passear no clipe da Triller, bilie jean, beat it, you are not alone, black or wite.
Depois da gente falar e dançar com o Jackson criança rapaizinho e velho. Como se fossemos sempre amigos.
Tava tudo tão incrível.
O Michael me chamou e mi levou pra sair da tela e fomos parar outra vez no palco da minha escola. O salão do teatro.
A música ainda estava tocando e parecia que a gente tinha acabado era de sair.
Mas fazia já algum tempo sim. Porque nós chegamos aqui fora e vimo o Vitor Hugo “ Palerma ” e o “ Suíno sujeirinha ” .
E mais uma tribo inteira de fãs do Michael Jackson.
Professores, a diretora, alunos de mais idade, uma verdadeira multidão !
Olha lá ! Eu não falei ? - era o Suíno.
Mau, se eu aguentasse bater em alguém, naquela hora eu batia no suíno ! Que cara corró manu !
Que que ele tinha que trazer aquele pessoal todo ?
Chamei o Jackson e corremos para a saída dos fundos do palco e corremos para fora do salão.
E com aquela multidão de sem noção querendo de todo jeito pegar o Michael.
Sem querer eu vi o inferno que era você ser um um astro famoso.
Um dia de pesadelo na vida do Rei do Pop. aff
Nem depois de morto tem sossego !
Nóis saímos voando pra fora e a turma toda vindo atrás de achar e pegar a gente.
Demu a volta e chegamo no corredor perto do pátio.
E logo demos de cara com mais gente nos cercando e o Michael falou : __ Foi legal conhecer você, viu garoto...
Vi que ele tava muito triste de se separar de mim assim.
Eu também, fiquei pensando em meus doze anos de toda a minha vida.
Nunca ninguém gostava dimim. Nunca tive amigos de verdade.
E agora o melhor amigo que eu já tive foi um cara morto !
Que não foi meu amigo por mais do que algumas poucas horas.
Vi que ele ia ser pego por aquela multidão maluca e eu nem podia fazer era nada !
É ! Este mundo é realmente uma droga viu !
Mas o Michael se afastou de mim e foi correndo pra frente.
Indo pro pátio e se jogou pra cima e pegou uma pomba branca que ia passando ali no baixinho bem naquela hora !
Segurou a pomba com a mão direita catando ela no ar !
E já caiu em pé , virando na direção do corredor cheio de gente.
Abriu a jaquetinha e pegou um baralho de cartas do seu bolso.
Depois juntou as cartas e aquela pomba branca, colocando elas unidas nas duas mãos. E então arremessou as cartas e aquela sua pomba branca na direção do povo que vinha correndo atrás dele.
E eles tiveram que parar ali mesmo.
A pomba tinha se multiplicado em uma enorme confusão sem fim de asas e penas.
Devia ter no mínimo umas duzentas pombas brancas voando em todas as direções pra cima daquela turma de perseguidores.
E as cartas do baralho voavam junto, aumentando toda a confusão.
Saía cartas de todo lado e do meio das asas das pombas.
Nem deu pra entender por que alguma daquelas pessoas inventou
de falar : _ Tá chovendo dinheiro ! Ó dinheiro ! Êêêêê...
_ pra mim era só cartas de baralho mesmo !
Naquela balbúrdia de asas e cartas, ninguém perseguiu mais o Michael.
Ele correu até chegar num muro perto de uma bancada e do padrão da luz.
Naquela hora ele parecia o Jackie Chan. Colocou um pé na bancada e pôs o outro pé no padrão sobre a caixa de relógio.
Num instante já tava lá no topo do murão alto de quase três metros de altura.
Sentado lá no alto, virou e sorriu pra mim.
Com a expressão de uma criança, um muleque atentado que tá fazendo arte.
Daí ele bateu palma erguendo os braços bem por cima da cabeça.
Pareceu que veio do nada um passarinhão enorme e bem preto.
Passou rasante bem baixo, e o Jackson se segurou nas garras dele e foi embora assim. Como quem voa de asa delta.
Era uma visão totalmente sobrenatural.
Mas logo ele sumiu na distância ao longe, no rumo do pôr do sol, no oeste.
O pessoal que já tinha se livrado da revoada das pombas e da chuva de cartas, ainda conseguiu assistir a partida sensacional dele
naquela hora.
Todo mundo em silêncio sepulcral. Parados e bestas.
Talvez ainda tentando compreender o que era que eles tinham visto acontecer.
Eu fui saindo de fininho e passei por eles mas ninguém me notou. Voltei a ser o negrinho invisível.
Que ninguém olha nem enxerga a não ser pra apertar firme as bolsas e pra apertar as carteiras com medo da gente ser ladrão.
Tudo voltava ao normal na minha escola. Até lá em casa.
E também na rotina da minha vida de todo dia uma surra não é...
Apanhar me dá uma vergonha. Uma raiva !
Eu nunca que faço nada...
Mi dá uma raiva louca ter que andar por aí todo vestido e coberto pra esconder tantos vergão.
Também a última coisa que eu ia querer é que todo mundo visse que ele mi bate.
A gora tou sempre olhando pela vitrine daquela lanchonete onde o Jackson tava.
Epa ! Mas morto nem come né.
Acho que a essa altura ele nem lembraria mais dimim.
Aposto que mesmo agora que ele tá morto, o cara deve ter muito mais coisa mais importante pra fazer...
Êpa ! Mas pera aí ! Aconteceu alguma coisa...
Tem uns cara mi chamando nasala da diretora, vou lá ver.
Mas eu já adianto, não foi eu que fiz nada em...
Tava era quieto aqui !
Nossa ! Levei uma hora pra voltar …
Tem uns cara gringo lá.
Um deles era advogado.
Viero mi levar porque eu ganhei uma bolsa de estudos completa com tudo pago, no conservatório de música.
De uma escola americana de nome complicado.
Caraca meu irmão !
Vou embora daqui e nunca mais vou apanhar !
É só eu pegar as minhas tralhas e mi mandar.
Num acredito ! Só pode ter sido o Michael Jackson !
Quem que ia querer pagar escola, logo pra mim ?
Estudar e morar nos Estados Unidos ?
Parece até que é um sonho !
Não sei como foi que eles fizero pa convencer aquele panaca a deixar eu ir !
Ah sei lá. Vai ver só falaro que ele ia ficar livre dimim né...













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