Eu
estava passeando numa rua em frente da minha escola...
Quem
sou EU ?
Leonardo,
12 anos 1,62 de altura, 54 quilos.
Até
que conheço um pouco de música, e por mais incrível que possa
parecer.
Eu
nem gosto muito de boa parte das músicas que a gente escuta hoje em
dia. São muito é barulho...
Eu
tava caminhando perto de uma bela lanchonete que tem ali na esquina.
E
estava tocando alto ali nas proximidades uma música muito bunita de
quando o Michael Jackson tinha quase a minha idade e quando ele ainda
era da minha cor também.
Chama
MUSIC AND ME. A MUSICA E EU.
Pois
é, o som nem tava muito alto mais ainda tava bom de escutar aquela
música.
Logo
eu percebi que tinha mais alguém cantando.
Olhei
lá pra dentro espantado porque aquela voz vinha era lá de dentro do
salão.
Alguém
cantava com a voz tão idêntica e tão perfeitamente igual ao play
back que lá dentro as pessoas nem percebiam nada.
Eu
com o meu olho comprido pra dentro da vitrine, pensava que ia ser
delicioso eu poder devorar também um poderoso sanduichão daqueles.
Que
ainda vem com um copão gigantesco de coca-cola.
Mas
minhas moeda no meu bolso só pagava o ônibus de volta pra casa.
E
agora eu nem peço mais dinheiro em sinal.
Sempre
vem algum engraçadinho e ti junta pelo braço querendo ti pôr num
abrigo de menor e ti “salvar' de virar moleque de rua.
Aquela
droga é uma selva, e tá cheio de pirigosos, mandões metido a
chefão do crime.
Além
de ter regra de horário pra tudo. E você num pode nem espirra que
já estão querendo que você explique o que que tem no seu nariz.
Enquanto
eu olhava toda aquela gente comendo tanto, não parei de ouvir a
música que tocava.
Foi
aí que eu vi quando alguém saiu pela porta lá do outro lado e
passou ali bem pertinho.
Cantando
perfeitamente naquela língua complicada que os povo fala lá do
estrangeiro, cheia de palavra que o meu ouvido mal separa um som do
outro.
Sem
querer eu fiquei procurando quem era e saí andando atrás
do
som da voz daquela música.
Ia
olhando pra toda parte e ao redor naquela rua movimentada cheia de
gente passando em todos os sentidos.
Gente
indo e gente vindo, gente entrando e saindo da lanchonete.
Aonde
que eu ia ver nada quem é que tava cantando .
Mas
eu seguia a voz de perto e fui caminhando sem me afastar dela.
E
isso já me mostrava que pelo menos a gente tava indo era na mesma
direção.
Ali
perto da esquina a voz parou e ficou esperando para atravessar a rua.
Eu
também ia indo e quase alcancei, mas novamente perdi de ver a pessoa
no meio daquela multidão de passantes.
Atravessei
a rua também, confuso e perturbado. Como quem sai por aí
perseguindo fantasmas...
Mas
lá do outro lado da avenida o movimento de pessoas ainda era menor e
eu pude finalmente ver de costas uma pessoa alta parada ali na
calçada.
Ainda
meio longe e eu chamei : _ Ei moço ! Ei você aí que tá cantando
aí.
E
quando aquele cara virou pra mim eu olhei na cara dele e quase morri
de susto !
Parecia
que era o cantor da televisão, o tal de Michael Jackson.
Mas
esse cara não tinha morrido ?
Foi
o que eu também pensei na hora! Mas ele tava ali.
E
não era aquele Michael Jackson velho e acabado que ele era agora no
final não !
Era
um cara novo, com cabelinho de neguinho que nem nóis assim gente
normal.
Tava
com cara de gente. Não com cara de artista daqueles que bota tanta
tralha no rosto e no cabelo que parece até aqueles manequim di
vitrine de loja de roupa.
E
quando eu chamei ele ainda tava cantando, com a voz tão limpa e
igualzinha ao som da lanchonete.
Que
eu achei que tinha algum rádio com ele.
Afinal
quem é que canta assim tão bem ao vivo não é ?
Mas
o que me incomoda nesse cara não é que ele canta!
É
o fato de que ele até já morreu !
E
quem é que não sabe disso ?
Acho
que o mundo inteiro comentou quando aconteceu aquilo lá.
Mas
o milagre a gente não explica né.
Agora
ele mesmo estava ali, bem ali. E com uma saúde de ferro e
cantando
duma maneira que já faz muito tempo, nem ele mesmo tando vivo não
cantava mais.
Tava
rindo e alegre até demais para um morto não é ?
Tava
era vivinho da silva, até da di pensar que artista é imortal.
Quando
eu falei com ele parecia que ele tava entendendo tudo.
Porque
ele parou e riu. E ficou ali me olhando sem parar de cantar.
Como
se fosse algum tipo de mágica, apareceu na mão dele um copão de
refrigerante e um pacote lá da lanchonete.
Com
tudo fechado e um sanduichão enorme, daqueles com tudo dentro. Tudo
que tinha direito.
Só
depois de começar a comer é que eu percebi que eu tava tão com
fome.
Ele
só me olhava e ficava rindo enquanto eu comia.
Decerto
porque eu me lambuzava todo com ketchup e a maionese pela cara toda.
Mas
eu finalmente acabei de comer.
E
perguntei se ele era realmente o verdadeiro Michael Jackson.
Pra
variar ele lá na língua dele confirmou que era sim.
Milagrosamente
eu entendi o que ele queria dizer.
E
mais pra incomodar do que tendo alguma duvida da identidade
dele
eu o desafiei : _ Então me ensina aí a dançar igual a você...
Faz
aí o moon walk pra mim ver. Eu ainda não consigo...
Isso
sim era verdade, eu nunca consegui aprender sequer a começar a fazer
esse tal de moon walker que era a marca registrada dele.
O
pior é que esse cara não é desse planeta !
Fazendo
uns barulho com a boca, estalando os dedos já criou um ritmo pra
dançar e já saiu se flutuando como se fosse a coisa mais natural do
mundo.
Andando
pra trás até bem longe fez um giro completo ali parado.
Depois
voltou de lá pra cá do mesmo jeito que tinha ido.
Parou
bem do meu lado e deu aquele giro de várias voltas rapidíssimas,
que a gente fica até tonto só de olhar fazer.
Esse
aí era o Michael Jackson sim ! - eu pensei.
Aí
eu falei : _ Ou ! PERA AÍ ! PERA AÍ ! PERA AÍ CARA...
Me
ensina aí também a fazer esse negócio pô ! Mostra aí brou.
__
Primeiro você tem que que deixar o corpo bem leve. E vai apoiar o
peso com este pé e o peso vai só deslizar.
Depois
o outro se desliza também e você movimenta os dois quase ao mesmo
tempo.
Depois
é só ir fazendo...
Cara,
fui fazendo junto com ele e e o cara ia mostrando enquanto me
explicava.
E
o passo do tal do moon Walker que nunca eu na vida toda num tinha
feito, foi saindo naturalmente.
Consegui
fazer com perfeição.
Igualzinho
ele tava fazendo...
Mas
também aprender com o mestre é outra coisa né. Nunca tinham me
ensinado essa droga direito.
E
agora que eu sabia fazer parece que já era tão fácil.
Fiquei
fazendo indo e voltando, e o cara tinha parado ali pra ver eu
dançando o moon walker.
E
quando eu cheguei e parei do lado dele. O cara tava batendo palma pro
moon Walk que eu tava fazendo.
Quantas
pessoas na vida já tiveram uma moral dessa ?
E
o pior é que ninguém mais vai ter não é ! O cara morreu...
Achei
melhor eu aproveitar, só pra insétizar mesmo ele.
Mandei
ele fazer o moon walk pra frente pra eu ver como que era também.
Quando
ele fez e me mostrou umas duas vezes eu falei:
_
Pera aí ! Deixa eu tentar acompanhar também.
E
eu fui fazendo junto o moon walk pra frente. Mas agora eu já tava
craque tamém né.
Fiz
igualzinho ele fazia e ao mesmo tempo.
Devia
estar engraçado um grande e um piqueno fazendo o
mesmo
passo e dançando ao mesmo tempo.
Quase
como se fosse um espelho.
E
agora ainda tinha o teste final, aquele passo que é rodar parado no
mesmo lugar e ir andando de lado também.
Ele
mostrou, começou a fazer e eu logo acompanhei.
Fiz
igualzinho de novo .
Ééééé
! Tá pensando o que ? Agora eu num sou fraco não. É guri.
De
repente eu tive uma brilhante ideia...
E
se eu levasse o cara pra minha escola !
Os
pisos da escola era maneiro. A gente podia ensaiar lá
Eu
tinha guardado minha caixa de música no meu armário.
Depois
que a piquena que eu tinha comprado o otário do meu tio Cleitão
trocou em duas daquelas garrafa daquele whisky
paraguaio.
Ah
nunca mais guardei foi nada lá em casa !
Lá
em casa, nem dá pra chamar aquele barraco lá de casa em !
Aquilo
lá deve tar um chiqueiro agora!
Ele
já deve ter bagunçado tudinho de novo...
Quase
que eu ri pra caramba quando ele chegou e falou: _ Cadê o dinheiro
que a dona Alice ti deu ? Já revirei a casa toda e num achei ! Olha
a bagunça que tá aqui !
Hé,
héé. Só porque ele quer que eu ia dar o dinheiro do salgado
que
eu vendi da dona Alice pra ele tomar a cachaça né.
_Ah
tiu! Eu usei todo o dinheiro pra pagar coisa da escola. E ainda
ficou até faltando... - falei pra ele só di chato.
Eu
já sabia que as borracha ia comer na minha costa de novo !
É
chato até chato cê ficar lembrando das lambadas que ti deram antes
di ontem...
Só
que eu não ia levar o Michael Jackson lá em casa só pra ver eu
apanhar igual daquela vez na frente do Gustavo.
Mó
vergonha que eu passei né. Até os povo vieram perguntar pra mim
depois.
Lá
na escola o Michael vai pirar com aquele palco do teatro que tem lá.
Lá
sim vai dar pra gente ensaiar...
__
Ô Michael ! Vamo lá na minha escola pegar a minha caixa e daí eu
vou ti mostrar as musicas que eu tenho nela. Vamu.
_
Tá bem, vamu lá...
Que
coisa incrível ! Eu sair andando por aí com o Michael Jackson !
A
molecada ia morrer de inveja do neguinho aqui. Pensa.
Pena
que eu sei que esse cara num tá nada afim de aparecer pra multidão.
Quando
ele ainda tava vivo ele já não gostava...
É
uma sensação muito estranha a gente andar com um morto por aí.
Ainda mais sendo um que todo o mundo sabe que morreu.
Começou
a me dar a impressão de que logo logo isso ia dar merda. Tava na
cara !
__
Ainda bem que a minha escola fica bem ali mesmo nessa rua. Se fosse
mais longe eu não ia nem chamar você pra ir lá comigo.
Você
tá entendendo o que eu falei, vamo lá então ?
_
Oh, ok vamos.
Eu
ainda não sei como que você agora tá falando português assim tão
bem.
_
Oh agora não é tão difícil.
Ainda
bem que a gente já chegou ! Num falei que era bem pertinho ?
__
Sim é muito bom. Aqui ser um bonita escola.
Pra
mim é aqui que é a minha casa .
Quase
igual no castelo aquele onde estuda o Harry Potter, lembra ?
__
Ei. Não quero encontrar muita gente ainda !
Ah,
tá tudo bem. Vamo lá no teatro então. Pera aí vou pegar a
caixinha de som tá bem ? _ saí correndo e fui até o armário e já
ia saindo quando vi o Vitor e o Suíno, aí chamei eles.
Gente
vamo ali que eu quero ti mostrar uma pessoa.
Mas
quando eu cheguei lá na entrada o cara tinha sumido, num tava mais
lá.
E
o Suíno saiu batido, nem sei onde ele ia com tanta pressa, ou cara
sujeira ! kkk
Por
isso que chamavam ele de Suíno ? aff Só podia.
A
gente saiu andando e logo vimos o Michael lá no corredor.
Nem
precisou eu apresentar o Vitor, ele mesmo sempre se adiantava.
_
Cara ! Você é o Michael Jackson, eu chamo Vitor Hugo...
Esse
Vitor é mesmo um pateta ! Tu acredita que ele é a única pessoa do
universo que ainda não sabe que o cara já morreu ?
O
cara estar aqui é um milagre. E de tão mané ele nem vê isso.
Levei
o Michael para o teatro e ele e o Vitor foram cada um de um lado.
Deixei
a caixinha na mão dele e subi no palco com o Michael. Toca as música
aí Vitor, a gente agora vai ensaiar.
O
Vitor ligou a caixinha e começou a procurar as músicas.
Mandei
ele procurar a música triller, parecia que ele ia levar a vida
inteira pra achar...
O
sobrenome dele era Salerno. Mas pra nossa turma ele era o Vitor Hugo
Palerma mesmo. aff Que guri lerdo !
Mas
finalmente ele encontrou as musicas do cartão e pôs pra tocar.
O
som da caixinha nem era tão alto, mas mesmo assim dava pra ouvir. E
nós começamos a dançar aquela dança dos monstros.
Daí
o Jackson de repente fez uma mágica lá e apareceu um telão
daqueles enorme atrás de nóis.
Daquele
tipo que ele usava em shows pelo mundo todo.
Eu
nem entendi direito o que ele fez.
Mas
de repente saiu do chão uma fumaça verde que que foi mudando de cor
e pulsando, ficando colorida.
E
quando terminou de ficar branca e sumir, lá estava o telão
perfeitinho e funcionando a todo o vapor.
E
já tava aparecendo umas imagens dele quando era criança dançando e
comparando o jeito dele com o meu. Porque a gente se parecia um pouco
na aparência física.
De
repente o som da música dele encheu o salão e o palco do teatro com
uma aparelhagem de som que eu nunca tinha visto na minha vida.
Com
umas luzes e holofotes de tudo que era cor.e tamanho.
Parecia
que agora que ele tava morto, o cara gostava ainda muito mais de
luzes e cores do que quando ele era vivo.
Aquele
palco estava ainda muito mais iluminado, do que uma árvore do natal.
E
agora tinha vapor de gelo seco ou sei lá o que, saindo de toda
parte.
Um
efeito muito interessante apareceu estampado ali no telão.
Era
que toda dança que ele fazia no nosso palco, aparecia uns bailarinos
lá atrás no telão.
Todos
eles tavam fazendo a mesma coisa e dançando exatamente igual os
movimentos, e em cada coreografia.
E
por incrível que pareça, agora eu também tava ficando bom nisso...
Cara,
eu já não errava mais nada! Parecia que eu dancei as músicas dele
a vida toda!
E
olhando pro telão eu estava me vendo lá. Fazendo exatamente os
mesmos movimentos que eu fazia aqui fora no palco.
Com
isso eu podia mi ver na TV , participando até dos vídeos e clipes
que apareciam.
O
Michael que estava nas cenas sempre parecia ser o que estava
ali
junto comigo.
O
Jackson atual, que morreu.
Uma
hora daquelas ele foi andando, e entrou pra dentro do video clipe. E
ficaram os dois Michael Jacksons lá dentro dançando.
Depois
ele me chamou e pôs a mão pra fora da tela e me puxou com toda a
força para entrar também no centro da imagem do telão.
Daí
então corremos juntos e entramos pra dentro de um video clipe
passeando por dentro das histórias. Dançando e cantando como os
verdadeiros artistas.
E
em todos os lugares que a gente passava existia agora dois Michael
Jacksons.
Um
falava com o outro e dançavam juntos e cantavam juntos.
Eram
dois velhos amigos.
E
o Michael meu amigo me apresentava pra galera. Onde todo mundo me
tratava feito artista também.
Parecia
que pra eles eu era gente. Era importante.
Nem
parecia que eu vim duma realidade onde preto e favelado não
são
nem gente.
E
os outros nem nota a nossa presença a não ser pra nos acusar das
coisas mais feias e hediondas...
É
ladrão, é traficante ou bandido, sei lá.
Ali
sim eu era gente ! Era artista. E ainda era eu mesmo sem mudar...
Um
negrinho. Favelado e pobre.
Eu
cantei e a minha voz tava ótima.
Aí
dancei e mostrei passinho pro pessoal e batiam até palma pra mim.
Daqui
a pouco perguntaram de samba !
Quando
eu ensinei todo mundo ali aprendia de primeira.
Foi
a maior farra . Logo perguntaram de capoeira.
Dando
uma di profissional, falei que ia mostrar se tivesse os instrumentos.
O
Michael só me olhava e perguntou o que eu precisava.
Lá
onde a gente tava, aonde eu ia arrumar um berimbau ?
Pou,
mas agora que o cara tinha virado mágico, não tinha mais é nada
difícil pra ele né ?
Ele
fez uma graça lá com as mãos e já apareceu um berimbau novinho em
folha pra gente usar na demonstração.
Eu
fui lá e já mostrei como é que tocava.
Mais
uma outra coisa bem esquisita aconteceu...
Quando
eu parei de tocar . O berimbau já sabia tocar a música sozinho ?
Que parada é essa brou ?
Mas
milagre a gente não explica né ?
A
gente apenas aproveita que aconteceu...
fui
lá e dei uma aulinha pros gringos de como se fazer uma roda de
capoeira.
Sempre
é fácil de entender a regra.
Principalmente
quando a gente fala a mesma língua né.
Agora
o bicho pegava porque o povo falava ingreis e eu fala brasileiro
mesmo.
Malandrei,
como dizia o chato do professor da minha escola. aff
Não
era pa falar errado, pa falar sem dizer direito as palavras. E pa
terminar não era pa falar nenhum tipo de gíria também ?
Mano,
quem é que vévi assim pô ?
O
Michael tava tendo uma canseira do caraca pra traduzir o que eu
falava. Mas ainda tava conseguindo.
Também
no fundo capoeira é bem facinho né. Qualquer um intende logo. Pega
as moral .
Depois
de a gente passear no clipe da Triller, bilie jean, beat it, you are
not alone, black or wite.
Depois
da gente falar e dançar com o Jackson criança rapaizinho e velho.
Como se fossemos sempre amigos.
Tava
tudo tão incrível.
O
Michael me chamou e mi levou pra sair da tela e fomos parar outra vez
no palco da minha escola. O salão do teatro.
A
música ainda estava tocando e parecia que a gente tinha acabado era
de sair.
Mas
fazia já algum tempo sim. Porque nós chegamos aqui fora e vimo o
Vitor Hugo “ Palerma ” e o “ Suíno sujeirinha ” .
E
mais uma tribo inteira de fãs do Michael Jackson.
Professores,
a diretora, alunos de mais idade, uma verdadeira multidão !
Olha
lá ! Eu não falei ? - era o Suíno.
Mau,
se eu aguentasse bater em alguém, naquela hora eu batia no suíno !
Que cara corró manu !
Que
que ele tinha que trazer aquele pessoal todo ?
Chamei
o Jackson e corremos para a saída dos fundos do palco e corremos
para fora do salão.
E
com aquela multidão de sem noção querendo de todo jeito pegar o
Michael.
Sem
querer eu vi o inferno que era você ser um um astro famoso.
Um
dia de pesadelo na vida do Rei do Pop. aff
Nem
depois de morto tem sossego !
Nóis
saímos voando pra fora e a turma toda vindo atrás de achar e pegar
a gente.
Demu
a volta e chegamo no corredor perto do pátio.
E
logo demos de cara com mais gente nos cercando e o Michael falou : __
Foi legal conhecer você, viu garoto...
Vi
que ele tava muito triste de se separar de mim assim.
Eu
também, fiquei pensando em meus doze anos de toda a minha vida.
Nunca
ninguém gostava dimim. Nunca tive amigos de verdade.
E
agora o melhor amigo que eu já tive foi um cara morto !
Que
não foi meu amigo por mais do que algumas poucas horas.
Vi
que ele ia ser pego por aquela multidão maluca e eu nem podia fazer
era nada !
É
! Este mundo é realmente uma droga viu !
Mas
o Michael se afastou de mim e foi correndo pra frente.
Indo
pro pátio e se jogou pra cima e pegou uma pomba branca que ia
passando ali no baixinho bem naquela hora !
Segurou
a pomba com a mão direita catando ela no ar !
E
já caiu em pé , virando na direção do corredor cheio de gente.
Abriu
a jaquetinha e pegou um baralho de cartas do seu bolso.
Depois
juntou as cartas e aquela pomba branca, colocando elas unidas nas
duas mãos. E então arremessou as cartas e aquela sua pomba branca
na direção do povo que vinha correndo atrás dele.
E
eles tiveram que parar ali mesmo.
A
pomba tinha se multiplicado em uma enorme confusão sem fim de asas e
penas.
Devia
ter no mínimo umas duzentas pombas brancas voando em todas as
direções pra cima daquela turma de perseguidores.
E
as cartas do baralho voavam junto, aumentando toda a confusão.
Saía
cartas de todo lado e do meio das asas das pombas.
Nem
deu pra entender por que alguma daquelas pessoas inventou
de
falar : _ Tá chovendo dinheiro ! Ó dinheiro ! Êêêêê...
_
pra mim era só cartas de baralho mesmo !
Naquela
balbúrdia de asas e cartas, ninguém perseguiu mais o Michael.
Ele
correu até chegar num muro perto de uma bancada e do padrão da luz.
Naquela
hora ele parecia o Jackie Chan. Colocou um pé na bancada e pôs o
outro pé no padrão sobre a caixa de relógio.
Num
instante já tava lá no topo do murão alto de quase três metros de
altura.
Sentado
lá no alto, virou e sorriu pra mim.
Com
a expressão de uma criança, um muleque atentado que tá fazendo
arte.
Daí
ele bateu palma erguendo os braços bem por cima da cabeça.
Pareceu
que veio do nada um passarinhão enorme e bem preto.
Passou
rasante bem baixo, e o Jackson se segurou nas garras dele e foi
embora assim. Como quem voa de asa delta.
Era
uma visão totalmente sobrenatural.
Mas
logo ele sumiu na distância ao longe, no rumo do pôr do sol, no
oeste.
O
pessoal que já tinha se livrado da revoada das pombas e da chuva de
cartas, ainda conseguiu assistir a partida sensacional dele
naquela
hora.
Todo
mundo em silêncio sepulcral. Parados e bestas.
Talvez
ainda tentando compreender o que era que eles tinham visto acontecer.
Eu
fui saindo de fininho e passei por eles mas ninguém me notou.
Voltei a ser o negrinho invisível.
Que
ninguém olha nem enxerga a não ser pra apertar firme as bolsas e
pra apertar as carteiras com medo da gente ser ladrão.
Tudo
voltava ao normal na minha escola. Até lá em casa.
E
também na rotina da minha vida de todo dia uma surra não é...
Apanhar
me dá uma vergonha. Uma raiva !
Eu
nunca que faço nada...
Mi
dá uma raiva louca ter que andar por aí todo vestido e coberto pra
esconder tantos vergão.
Também
a última coisa que eu ia querer é que todo mundo visse que ele mi
bate.
A
gora tou sempre olhando pela vitrine daquela lanchonete onde o
Jackson tava.
Epa
! Mas morto nem come né.
Acho
que a essa altura ele nem lembraria mais dimim.
Aposto
que mesmo agora que ele tá morto, o cara deve ter muito mais coisa
mais importante pra fazer...
Êpa
! Mas pera aí ! Aconteceu alguma coisa...
Tem
uns cara mi chamando nasala da diretora, vou lá ver.
Mas
eu já adianto, não foi eu que fiz nada em...
Tava
era quieto aqui !
Nossa
! Levei uma hora pra voltar …
Tem
uns cara gringo lá.
Um
deles era advogado.
Viero
mi levar porque eu ganhei uma bolsa de estudos completa com tudo
pago, no conservatório de música.
De
uma escola americana de nome complicado.
Caraca
meu irmão !
Vou
embora daqui e nunca mais vou apanhar !
É
só eu pegar as minhas tralhas e mi mandar.
Num
acredito ! Só pode ter sido o Michael Jackson !
Quem
que ia querer pagar escola, logo pra mim ?
Estudar
e morar nos Estados Unidos ?
Parece
até que é um sonho !
Não
sei como foi que eles fizero pa convencer aquele panaca a deixar eu
ir !
Ah
sei lá. Vai ver só falaro que ele ia ficar livre dimim né...
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